TIME TOPOGRAPHY
O tempo escreve histórias na tua pele I Time write stories on your skin
Em vários países existe a prática de proteger e envolver objetos do quotidiano, sendo o Japão um dos exemplos mais significativos através do conceito de tsu tsu mu — o gesto de embrulhar como forma de cuidado, respeito e relação com o objeto. Nesse sentido, forrar livros com papel transparente não é apenas uma ação funcional, mas um prolongamento dessa lógica de envolvimento. Em Portugal, e em casa dos meus avós e dos meus pais, esse gesto era recorrente.
Nessa altura essa sobrecapa funcionava como proteção, mas agora penso nela como uma pele: uma camada que envolve esse corpo e o agasalha. Se o livro contém uma narrativa, por outro lado, essa “pele” revela outra dimensão — uma rotina feita de gestos repetidos que evidencia uma interação com o exterior mostrando de forma descarada essa dupla vivência.
Na primeira reunião online com Leonor Saúde, cientista molecular do GIMM, líder do grupo de investigação dedicado à regeneração da medula espinal, falámos sobre diferentes aspetos do envelhecimento da pele
- A pele é o maior órgão do corpo humano.
- O seu envelhecimento resulta de factories intrínsecos e extrínsecos. Os intrínsecos dizem respeito às fibras de elastina e de colagénio que ficam danificadas e deixam de exercer a sua função estrutural. Os extrínsecos prendem-se com factores externos como o sol e o meio ambiente.
- Como qualquer outro órgão do nosso corpo, a pele tem memória. Funciona como um diário onde todas marcas ficam gravadas ao nível celular e se revelam, no futuro, sob a forma de manchas, rugas e até algumas doenças dermatológicas . Uma verdadeira topologia do tempo como uma superficie onde se inscreve, de forma contínua, a história de uma vida.
Tal como a pele, também a sobrecapa do livro se torna um lugar de memória, onde, através do uso e do cuidado, se acumulam marcas, gestos e a história da sua relação com o exterior.

