O espaço romântico do parque do Monteiro Mor repleto de árvores gigantes, flores e de extensos prados é por excelência o local ideal para se namorar e trocar juras de amor...

O trabalho apresentado no jardim do Museu do Traje e da Moda teve como base os lenços de namorados, também conhecidos como lenços de amor ou marcados. Trata-se de uma tradição popular minhota que vem desde o século XVIII, na qual as raparigas em idade “casadoira” bordam lenços com desenhos e quadras de amor para os seus amados. Estes, ao receberem o lenço, assumem o compromisso se o colocarem em roda do pescoço ou no bolso do casaco domingueiro; caso contrário, devolvem-no. O lenço, e sobretudo o seu uso pelo elemento masculino, assume assim o papel de símbolo visível do enlace, ritualizando a assumpção do compromisso perante o mundo, tornando-se a prova material das juras de amor trocadas - esse espaço da partilha e do encontro das emoções tão verdadeira e ingenuamente bordadas com arte no branco do tecido. Mãos que desenham e criam com linhas de cor as frases simples das promessas de amor.

A partir desta ideia e tirando partido das já existentes namoradeiras – bancos inseridos na arquitectura do jardim – procurei entrelaçar e entretecer delicadamente dois universos: o do traje e o da natureza (ideia base do projecto lançado por Carla Rebelo). É assim que surge este conjunto de 3 casais de namorados, feitos em tecido impermeável à escala natural, cada um a namorar em diferentes pontos estratégicos deste espaço verde: numa das árvores, num prado e no roseiral.

Assumindo-se o corpo como o espaço do compromisso e da partilha, é no corpo destas personagens que se encontram bordados alguns símbolos característicos dos lenços de amor como a pomba, o coração, as flores e os pássaros. Elaborados como se de tatuagens se tratassem, uma vez que as tatuagens são “uma forma de comunicação não verbal que oferece informação instantânea (...) Um elemento erótico, para informar a preferência sexual de quem as exibe e provocar resposta de eventuais parceiros, ou por casais interessados em celebrar amor eterno”*, as juras surgem assim escritas na pele, trocadas no enlaçar dos corpos e no rumor das conversas tecidas em fim-de-tarde.

* In www.sonoo.com.br/tatuagens.html